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Entrega simbólica de 1.032 apartamentos do Programa Minha Casa Minha Vida em Capanema - PA (Março 2015) |
Neste final de semana, a imprensa noticiou que a
bancada do PSDB, no Congresso Nacional, vai protocolar o pedido de impeachment
da presidenta Dilma. Certamente isso faz parte de uma estratégia da oposição em
não dar trégua ao governo. No entanto, entre pedir o impeachment e ele vir a
acontecer, existe uma longa distância. Diante disso, mantemos nossa análise
feita desde o início desse movimento, de que desde então, já não havia ambiente
político para o impeachment da presidenta. No entanto, passado esses quatro
meses pós-reeleição presidencial, as coisas estão mais nítidas em relação às recentes
movimentações populares e à conjuntura política no Brasil. E é justamente sobre
isso que vamos tratar neste texto.
Por que o movimento "#VemPraRua" mobilizou
tanta gente no dia 15 de março e o mesmo não aconteceu no dia 12 de abril?
De forma resumida podemos afirmar que este movimento
está divido em três pensamentos:
ü os que querem o golpe
militar;
ü os que querem o impeachment
da presidenta Dilma e;
ü os que querem ver o governo "sangrar"
.
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Os dois lados do movimento #VemPraRua em 15 de Março |
Em
nossa opinião, a primeira grande mudança na conjuntura política pós-eleição de
2014 foi a alteração na correlação de forças políticas na sociedade. O projeto
político liderado pelo PT e seus aliados ao vencer, pela quarta vez consecutiva,
as eleições presidenciais, comprovou naquele momento, sua hegemonia na
sociedade. Porém perdeu este posto do projeto hegemônico logo no primeiro mês de
mandato da presidenta Dilma. Há quem diga que se a presidenta tivesse dedicado um
tempo maior para preparar a sociedade e seus aliados, e só depois lançar os
ajustes, o desgaste seria menor. Em nosso entendimento, consideramos os
seguintes fatores como responsáveis por essa perda:
§ a oposição, mesmo após
perder a eleição, saiu mais fortalecida que nos pleitos anteriores, devido ao
resultado ter sido muito equilibrado e à polarização de projetos para o País
ter sido mais antagônico durante os debates eleitorais;
§ diante da crise financeira
internacional, a presidenta Dilma que havia no primeiro mandato assegurado a
execução dos ajustes fiscais; anunciou, às pressas, ajustes duros e
antipopulares, e logo após ter sido reeleita, surpreendendo o eleitor, os
movimentos sociais e, até mesmo, os partidos aliados;
§ junto com os ajustes fiscais,
vieram ainda, os aumentos de combustível e das tarifas de energia. Os quais
foram muito bem explorados pela oposição, que usou desse fato para instigar a
população contra o governo;
§ veio à tona, de forma mais
nítida e impactante, os escândalos da Petrobras, onde a mídia brasileira,
contrária ao governo e ressentida com a derrota de seu candidato, não hesitou
em atribuir tudo ao PT e ao Governo Federal;
§ esses fatores se constituíram
como um prato cheio nas mãos da oposição, que se oportunizou para chamar às rua
(com apoio da mídia aliada) os insatisfeitos com as medidas governamentais e,
em especial, o público inconformado com a derrota do candidato oposicionista;
§ o ajuste fiscal, a elevação
das tarifas de energia, o aumento no valor do combustível, somada à ira odiosa
de setores da oposição inconformados com a vitória de Dilma e do PT constituiu
um ambiente propício para chamar o povo para ir às ruas contra a presidenta. Tudo
isso explica o porquê da força da mobilização do dia 15 de março deste ano.
Vamos
mencionar agora alguns fatores que atribuímos
serem responsáveis pelo quase fracasso da mobilização do dia 12 de abril:
§ a oposição vendeu um peixe
que ainda não havia pescado e, portanto, não pôde entregar. Prometeu para o
grande público que se fosse às ruas, tirariam Dilma da presidência da República.
Passado o protesto, muito se falou de que não se tinha base legal para o impeachment
da presidenta. Na subjetividade muita gente ficou com a ideia de que foi chamada
para às ruas sem que lhe falassem a verdade dos fatos;
§ o setor que defendeu um
golpe militar ganhou muita força nas ruas. E isso assustou e afastou setores,
que até querem a saída da Dilma, mas não concordam com a volta da Ditadura;
§ o último fator, mas não
menos importante para a diminuição das pressões contra o governo, foi o
contraponto de rua, pois mesmo tendo sido menos numerosas, as mobilizações
favoráveis ao governo deram um forte recado: se tiver gente na rua pedindo para
que a presidenta saia, também terá para que ela fique. Isso mostrou um sinal
positivo, pois o momento político do Brasil é diferente do período Collor, o
qual não obteve apoio popular para dizer "não" ao seu impeachment.
Podemos mencionar ainda como os novos acontecimentos
vêm diminuindo a força do movimento "#VemPraRua"
e da tentativa de impeachment:
§ balanço financeiro da
Petrobras, que por um lado mostra o rombo da corrupção, por outro, aponta o fim
de um ciclo de crise - onde a estatal volta a ser um bom negócio para os
investidores;
§ o anúncio do aumento em 70%
da produção de óleo no pré-sal;
§ a manutenção das notas das
agências internacionais, assegurando que o Brasil continua sendo um bom país
para se investir;
§ uma boa reação do mercado de
trabalho, que neste mês, voltou a crescer com maior geração de empregos;
§ a redução de gastos do
governo e aumento de captação de reservas, o que sinaliza a capacidade de
manutenção de programas sociais e de investimentos.
Do ponto de vista do principal ator (que é o Governo),
observamos que de forma cuidadosa, o mesmo reagiu. Passou, então, a esclarecer o
ajuste fiscal, dialogou com o Congresso Nacional e se articulou
internacionalmente. E o mais importante: ministros, ministras e a própria
presidenta saíram do Palácio do Planalto para visitar os estados e dialogar com
a sociedade. Por tudo isso, acreditamos que essa atitude protocolar de pedido
de impeachment, oriunda da bancada do PSDB, não vai passar de uma tentativa
política de desgastar o Governo Federal e de frear a recuperação de sua imagem.
Por isso, reafirmamos não acreditar no êxito da solicitação do impeachment.
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Dilma e Obama e a retomada da articulação internacional |
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